O prefeito Rogério Cruz lançou, na tarde desta sexta-feira (12/08), o Mapeamento da Cultura Afro-brasileira em Goiânia. O projeto tem, por objetivo, identificar e dar visibilidade às manifestações culturais afro-brasileiras presentes no município. O lançamento se deu na presença de lideranças da cultura e religiões de matriz africana, no Salão Nobre do Paço Municipal. “Aprimoramento de políticas públicas é um trabalho conjunto, fruto de pensamentos múltiplos, mas que convergem pelo bem da população”, afirmou.

O mapeamento é uma iniciativa da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Políticas Afirmativas (SMDHPA), por meio da Superintendência de Igualdade Racial, em parceria com o Instituto Movimento e Ação e Programa de pós-Graduação em Estudos Culturais, Memórias e Patrimônio da Universidade Estadual de Goiás (UEG).

O projeto supervisionado pelos professores doutores Marcos Torres e Ricardo Rotondano traz o georreferenciamento e recorte sociocultural de comunidades de Afoxés, Ternos de Congada, Catupés, Moçambiques, escolas de samba, Blocos Afro, Terreiros de Umbanda e Candomblé, cultos tradicionais, grupos de capoeira, Hip Hop, entidades do Terceiro Setor, e outros. Deste modo, assegura à população a existência de manifestações da cultura popular e religiosidades.

Segundo Rogério Cruz, o projeto resgata a cultura afro na capital, bem como as expressões e saberes que, de fato, têm participação substancial na história de Goiânia. “O mapeamento, que não traz apenas números, mas vozes, representa exatamente aquilo que queremos com a gestão, o cuidado com todas as pessoas, pois queremos todos perto porque, juntos, podemos fazer melhor”, frisou.

“Acredito no respeito mútuo, em estender o tapete vermelho para a cultura que for. Cultura é memória e história de um povo, e a riqueza está nos diferentes pensamos que carregamos”, disse.

O secretário-executivo de Direitos Humanos e Políticas Afirmativas, Eduardo de Oliveira, pontuou que políticas públicas e ações de fomento podem ter, como aporte, os dados mapeados e certificados pelo projeto. “Catalogar as ações da cultura afro em Goiânia, saber onde está cada uma dessas culturas para preservar um patrimônio cultural tão importante para nossa cidade, nosso país”, afirmou.

Eduardo ressaltou, ainda, que “frutos surgirão desse estudo, que nada mais é do que uma ponta de lança para que a cultura negra seja respeitada, ao saber quem são e onde estão essas pessoas”.

O professor-doutor Marcos Torres, da Universidade Estadual de Goiás (UEG), destacou a carência de informações, reconhecimento e referências sobre a cultura negra no Brasil. “Uma demanda da sociedade civil para que sejamos vistos, lembrados e tenhamos informações que efetivamente subsidiem políticas públicas de apoio às comunidades tradicionais”, afirmou.

O docente explicou que o projeto terá quatro grandes frentes: comunidades tradicionais de matriz africana (de terreiro), cultura popular (blocos de percussão, escolas de samba, capoeira e congada), cultura urbana (hip hop), espaços e personalidades. “E a cultura afro-brasileira trouxe uma identidade fundamental para esse país. Está na hora de a reconhecermos”, enfatizou.

O presidente da Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de Goiás, Salmo de Ogum, explicou que o mapeamento fortalecerá a identidade cultural, trazendo mais visibilidade e dignidade. “Mais ainda, permitirá que a sociedade tenha uma informação correta acerca dessa cultura, há tanto tempo deturpada, e a partir daí, terá valorização dos saberes transmitidos de geração em geração”, refletiu.

Salmo destacou, ainda, que o projeto direcionará políticas públicas para comunidades invisibilizadas. “O mapeamento trará não apenas informações sobre quem está em situação de vulnerabilidade, como dará suporte para pessoas, da própria comunidade, desenvolverem projetos na educação e economia solidária, por exemplo”.

A solenidade teve apresentações da cantora Beaju, dos grupos Coró de Pau, Congada 13 de Maio, além das presenças dos secretários municipais Michel Magul (Governo) e Zander Fábio (Cultura), da superintendente de Igualdade Racial, Angela Café, e demais autoridades.

Ações

Desde o início da gestão, ações e políticas públicas têm sido desenvolvidas com vistas ao reconhecimento e valorização de homens e mulheres pretas da capital. Uma delas é a Feira das Pretas+, projeto piloto de atenção e retomada econômica para o pós-pandemia, em parceria com grupos de mulheres negras, indígenas e de comunidades tradicionais. Ao todo, foram oito edições do evento.

Goiânia também sediou, em novembro do ano passado, o Mutirão Sinapir, evento que buscou sensibilizar, mobilizar e firmar um compromisso de 30 municípios goianos para adesão ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Trata-se de conjunto de políticas e serviços destinados a superar as desigualdades étnicas existentes no país.


Secretaria de Comunicação (SECOM) – Prefeitura de Goiânia

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