Coronavírus

“O momento que estamos vivenciando é drástico”, alerta secretário

Durante a live Jackson Abrão Entrevista, do jornal O Popular, o secretária Municipal de Saúde, Durval Pedroso, falou que houve falha do Ministério da Saúde na aquisição e distribuição das vacinas. Explicou que a única maneira de lidar com esse tipo de doença é a prevenção da infecção, que é feita com vacina, uso de máscaras e distanciamento social. E explicou como a Prefeitura de Goiânia tem agido para para conter a pandemia na capital

Publicado em: 08 de março de 2021 às 13:54 | última atualização: 08 de março de 2021 às 13:54

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O secretário municipal de Saúde (SMS), Durval Pedroso,  fez um alerta nesta segunda-feira (8/3) na live Jackson Abrão Entrevista, promovida pelo jornal O Popular. Segundo ele, o momento que estamos vivenciando é drástico e crítico e não requer apenas abertura de novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). "Até porque estamos abrindo, hoje são 460, mas é importante a restrição das atividades e o compromisso maior agora é com a vida”.

Durval Pedroso explicou que a população de maneira geral precisa entender que estamos frente a uma doença de transmissão altamente infecciosa, porém acreditava-se que ela atingiria somente os pulmões, mas não é. "Ela é, na verdade, uma doença inflamatória imunológica". A taxa de ocupação da Rede Municipal de Saúde está, neste momento, em 99% de ocupação dos leitos de UTI e 99% dos leitos de enfermaria.

O secretário esclareceu que a única maneira de lidar com esse tipo de doença é com a prevenção da infecção. “No caso da Covid-19, a prevenção pode ser feita de duas formas: a primeira é a prevenção primária com vacina, que é o item fundamental para proteger a população, e a segunda é conter a disseminação da doença usando máscaras, higienizando as mãos frequentemente e restringindo as aglomerações”, explicou.
 
Ele entende que houve uma falha muito importante por parte do Ministério da Saúde na aquisição e distribuição das vacinas. "Essa demora propiciou a mutação do vírus, que é de maior contágio, e tem atingido as pessoas mais novas entre 20 a 49 anos. O cenário de hoje é preocupante e nós não conseguimos imunizar a população”, comentou explicando que Goiânia já aplicou 120 mil doses da vacina.

Conforme Durval Pedroso,  quanto mais leitos de UTI existirem e mais pessoas necessitarem de tal internação, infelizmente o número de óbitos só tende aumentar, porque a taxa de letalidade das pessoas que são internadas em leito de UTI ainda é de 50%. "Por isso é fundamental que eu reafirme isso, precisamos diminuir a circulação das pessoas que ainda é grande em Goiânia”.  A realidade da capital goiana também demonstra hoje uma taxa de 20% de positividade em pessoas assintomáticas, o que justifica a adoção de medidas rígidas de distanciamento social.

Por esses motivos, o secretário pede a compreensão por parte dos comerciantes e o cumprimento do decreto que suspende as atividades não essenciais por mais sete dias. “Não podemos brincar com esse vírus. A taxa de letalidade está muito alta e não é momento de baixar a guarda”

Fiscalizações

Segundo ele, mais de 3,5 mil estabelecimentos em Goiânia já foram fiscalizados, e já foram realizadas mais de 400 notificações e 200 autuações. “A nossa fiscalização está atuando e, além dos fiscais da Vigilância Sanitária, de Posturas e Meio Ambiente, que estão em atuação, recentemente passamos a contar com o efetivo da Guarda Civil Metropolitana, que passou a nos ajudar, são mais 1,4 mil agentes nas ruas da capital verificando as possíveis irregularidades praticadas por quem não respeita os decretos", revelou Durval Pedroso.

Sobre o fato da população desacreditar das medidas restritivas e alegar cansaço, Durval foi enfático ao lembrar o desgaste dos profissionais da Saúde, que estão na linha de frente dessa pandemia há um ano. “Nossos profissionais, sim, estão cansados e exaustos. Foram privados de tudo e não nos deixaram na mão em momento algum, mesmo se infectando. A grande maioria venceu à Covid-19 e voltou para linha de frente”, ponderou, ao dizer que parte da população tem desacreditado da doença pelo fato da existência de líderes nacionais que minimizam a gravidade do vírus.

“Precisamos proteger a vida das pessoas e lembrar que somente quem perdeu um ente querido ou ficou esperando por uma vaga de UTI sabe do que estou falando. Vidas estão em jogo. Precisamos pensar nisso e nunca deixar de lembrar das medidas sanitárias que falamos de forma exaustiva, como o uso de máscaras, lavar as mãos e manter o distanciamento social”, repetiu Durval Pedroso ao encerrar a entrevista com o jornalista Jackson Abrão.

Mauro Júnio, da Diretoria de Jornalismo