Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do ano de 2019 aponta que o Brasil possui 17,3 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. Morador de Goiânia, Leandro Alves Silveira, de 45 anos de idade, é uma delas. “Eu nasci com glaucoma congênito. Enxerguei somente até os 15 anos, e mal. Depois, perdi a visão por completo”, relembra.

No Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado nesta quarta-feira (21/09), Leandro faz uma retrospectiva da sua trajetória e conclui que enfrentou bem os desafios até aqui. “É claro que a deficiência prejudica o desenvolvimento em todas as áreas. Mas a gente tem que se esforçar, ter determinação para alcançar os sonhos. Não pode parar porque a vida continua”, afirma.

E, de fato, ele nunca parou. Após a cegueira definitiva passou a se interessar mais pelo ofício do pai, marceneiro, e em pouco tempo dominou a arte de esculpir a madeira. Aprendeu a confeccionar porta-canetas, porta-joias, estojos, brinquedos, esculturas e peças decorativas em geral. O aprendizado virou uma grande brincadeira que permitiu testar a capacidade do colaborador.

Anos depois, foi aprovado no concurso da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), onde trabalha há 24 anos. Começou como jardineiro, atuou na comunicação via rádio com os caminhões da empresa e há três anos se dedica ao teleatendimento, recebendo e encaminhando solicitações de moradores.

“Desde o primeiro dia fui muito bem tratado e respeitado na Comurg. Sempre fui visto pelos demais como um colega de trabalho de verdade”, analisa o atendente, que conta com a ajuda da tecnologia para desempenhar sua função. Ele usa o TalkBack, um software que faz a leitura de todas as informações que aparecem na tela do celular e possibilita digitação com teclado Bluetooth.

Após a jornada de trabalho, Leandro, como a maioria dos brasileiros, retorna para casa de transporte coletivo. São dois ônibus e duas viagens da Vila Aurora, sede da Comurg, até o Jardim do Cerrado 7. De volta ao lar, aproveita a companhia de Divina, sua esposa há 12 anos e ajudante dedicada no ateliê que funciona em um cômodo da residência. Ele relata que a ausência da visão o fez desenvolver melhor o sentido do tato, fundamental para produzir sua arte.

Apesar das dificuldades inerentes da deficiência visual, Leandro se diz realizado e feliz. “As pessoas comentam: muita gente não tem deficiência nenhuma e não trabalha, não faz nada. Você é um exemplo”, relata, orgulhoso.

Fotos: Francis Maia/ Comurg

Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) – Prefeitura de Goiânia