O trabalho na Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) e o amor pela música unem Eliane Evangelista Dourado, de 43 anos de idade, e Gersonete Sousa da Silva, de 49. Duas mulheres negras que conciliam a varrição das ruas da cidade com a participação no Coral Vozes da Comurg, o primeiro coral do Brasil formado exclusivamente por garis.

Ambas fazem questão de destacar o orgulho que sentem de trabalhar na limpeza urbana e ao mesmo tempo integrar um grupo musical já reconhecido no Estado, com diversas apresentações em locais públicos e em programas de televisão. “Isso prova que somos capazes de ocupar todos os espaços”, afirma Eliane.

Ambas também concordam que apesar das conquistas nas últimas décadas, a vida da mulher negra no país não é nada fácil: o preconceito é real e sentido literalmente na pele. Eliane conta que já entrou em lojas e “foi encarada com total desconfiança pelas vendedoras”, como se ela estivesse ali para roubar.

Já Gersonete recorda a vez em que pediu água para uma moradora durante o serviço e foi tratada com hostilidade. “Cheguei na casa, pedi água, e quando fui devolver o copo de vidro a mulher falou pra eu levar o copo pra mim. Outra vez, em outra situação, o morador mandou eu beber água da torneira. Fiquei muito constrangida”, relata a gari.

Mas as agressões absurdas sofridas apenas  reforçam a esperança por dias melhores. “Eu chego rindo no trabalho e o pessoal pergunta se eu não tenho problemas. Eu tenho, mas a minha marca é a alegria”, enfatiza Gersonete.

“O racismo no Brasil é muito forte, mas tem jeito de combater, sim. Muitas pessoas aprendem a ser preconceituosas com os próprios pais. É uma cultura que tem que mudar, é um trabalho de formiguinha que vai trazer mais dignidade e respeito para todos”, reflete Eliane.

Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) – Prefeitura de Goiânia

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