O amor à natureza e a preocupação com o meio ambiente fazem parte da trajetória de Euler Moura da Silva, de 49 anos. O técnico ambiental da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) trabalha há mais de uma década pelo aperfeiçoamento da coleta seletiva na capital e, paralelamente, atua como apicultor, produzindo mel. “Desde pequeno, sempre gostei das abelhas. Não deixava ninguém matar”, recorda.

O fascínio pelo inseto, capaz de transformar o néctar das flores em um alimento nutritivo e saboroso, levou Euler a criar abelhas em seu sítio na zona rural de Indiara, distante 100 quilômetros de Goiânia. O apiário conta com inúmeras colmeias da abelha africanizada, uma espécie menos dócil que as ocidentais, que possui grande potencial defensivo e que, quando ameaçada, pode perseguir uma pessoa por mais de 1 quilômetro.

Euler conhece bem essa determinação. Há 18 anos, pouco tempo depois de se tornar apicultor, sofreu uma investida. “Levei 30 picadas de uma vez. Fiquei um pouco doente, mas no outro dia amanheci melhor. Esse ataque aconteceu porque eu cheguei no enxame de qualquer jeito e estava cheio de mel. As abelhas estavam agressivas, uma caixa caiu no chão e elas vieram pra cima de mim”, conta.

O episódio não abalou a admiração do técnico ambiental pelas abelhas. Euler passou a resgatar em locais públicos de Goiânia enxames passíveis de atacar e serem atacados por moradores. O destino deles é sua propriedade rural, onde podem viver em paz na mata. “O primeiro passo para transportar o enxame é identificar e capturar a abelha rainha e colocar na chamada caixa-ninho. A partir daí, as outras abelhas vêm naturalmente pra caixa”, ensina.

Hoje, o apiário de Euler produz de 500 quilos a 1 tonelada de mel por ano a partir de floradas de Assa-peixe, Cipó-uva, Sucupira, Angico, Aroeira e Alecrim do Campo. A coleta acontece sempre entre o final de setembro e o início de outubro. Parte da colmeia é destinada para a comercialização dos favos, cujo consumo vem crescendo nos últimos anos no Brasil. Já o mel é engarrafado e vendido em quantidades que variam de 200 ml a 1 litro.

Euler explica que, além do mel, as abelhas têm um papel fundamental na produção de outros alimentos. Voando de flor em flor, elas promovem a polinização de quase três quartos das plantas produtoras de frutas e verduras do mundo. “Sem abelha não tem alimento. Em um pomar de laranjas, por exemplo, as abelhas farão o mel da florada das laranjeiras e ainda vão fecundar o laranjal, podendo até dobrar a produção de laranjas”, destaca.

Um inseto tão importante com breve ciclo de vida. A abelha rainha, alimentada com geleia real, vive de 3 a 4 anos. Já as abelhas operárias vivem, no máximo, 50 dias. Tempo suficiente para deixar alguns ensinamentos. “Elas vivem em harmonia, não brigam, só trabalham. As colmeias são muito bem organizadas, e cada abelha tem sua função. É só o ser humano que destrói a natureza, temos muito a aprender com esses animais”, pontua Euler.

O servidor da Comurg sonha ver em nossa sociedade o mesmo senso de organização presente nas colônias de abelhas. Formado em Gestão Ambiental com especialização em Tratamento e Destinação de Resíduos Sólidos e Líquidos pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Euler monitora a qualidade dos materiais recicláveis que chegam às cooperativas parceiras da Prefeitura e dá palestras em escolas, condomínios e empresas sobre a importância da coleta seletiva.

“Infelizmente, o brasileiro não tem o hábito de separar o lixo. Ele tira tudo do meio ambiente, mas na hora de descartar os resíduos, não tem a mesma disposição. Não é tarefa fácil criar essa cultura, mas tenho fé que vamos chegar lá”, afirma Euler, lembrando que todos os bairros de Goiânia contam com coleta seletiva porta a porta, que a reciclagem gera renda para centenas de famílias e, ainda, reduz a quantidade de resíduos enviados ao Aterro Sanitário.

Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) – Prefeitura de Goiânia

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